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Coluna de estreia: ''Esses Pets Inesquecíveis"- Por Guto Villanova
27 de outubro - O dia que as almas dos animais atravessam a ponte do arco-íris para visitar seus antigos tutores
Por Guto Villanova
Publicado em 27/10/2026 23:54 • Atualizado 28/10/2026 15:35
Mundo Pet
Há coisas que nós, tutores de pets, sabemos de antemão: nossos filhos de pelo são únicos e finitos. Não existe um pet igual ao outro e, mesmo com os avanços da medicina veterinária e da Ciência, os cães e gatos ainda batem num teto quando o assunto é longevidade. Pelo que andei lendo, a cada ano a expectativa de vida deles aumenta um pouquinho, mas ainda podemos dizer que a existência de cães e felinos é breve ou efêmera se comparada à do ser humano. Por isso, quando estamos com eles, vale aquela máxima: viva o dia!
Sou filho de veterinário. Entrar em contato com a profissão de meu pai desde pequeno fez com que eu criasse certa resiliência em relação à perda de um animal de estimação. Isso não me salvou da dor do luto, mas talvez tenha me dado o entendimento de que perdê-los é um acontecimento natural e inevitável da vida.
Não pense que escrever estas linhas é fácil: faz quase um mês que perdi meu Cebolinha (2010–2026). Vocês devem conhecê-lo pela coluna Meu Pet, de Angélica Rizzi. Meses antes de falecer, ele ganhou um livro em sua homenagem: Cebolinha, o cãozinho cadeirante, escrito pela Angélica e à venda na livraria online do portal Vem ZN.
Pela idade avançada (16 anos), pelas comorbidades, pela demência grave e progressiva e pela condição de deficiente físico há mais de uma década, nós já desconfiávamos que ele não tivesse mais tanto tempo. Então, a coluna e o livro foram uma maneira de homenagear nosso filho pet, que tanto nos ensinou em quase duas décadas de convivência. E também de contar a história de um cachorrinho que, repentinamente aos quatro anos de idade, por um problema genético, perdeu os movimentos das patas traseiras, mas jamais desistiu de viver — e teve, com a ajuda inestimável de uma cadeirinha de rodas, uma existência longa, ativa e bem vivida.
Foram vários os anjos na vida do Cebolinha, e fica nossa eterna gratidão, minha e da Angélica, ao veterinário Abílio Gomes, cuja cirurgia de emergência foi providencial para que a paralisia não se tornasse ainda mais limitadora. Agradecemos também, de forma especialíssima, ao Roberto Nardi, do Pet sobre Rodas, que forneceu a cadeirinha usada por ele durante quase toda a vida; ao pessoal da Deroni Soldas Especiais, que fez um reparo emergencial no veículo de locomoção garantindo que ele continuasse usufruindo do aparelho até o fim; ao meu pai, que mesmo com ênfase na medicina veterinária de grandes animais ajudou bastante com a Vica e o Cebolinha; e à minha tia, médica, sempre atenciosa e proativa com a saúde dos nossos bichinhos. Os demais agradecimentos estão na apresentação do livro.
Para encerrar esta primeira parte da coluna Esses Pets Inesquecíveis, gostaria de dizer que o Cebolinha foi se despedindo aos poucos. De certa maneira, foi nos preparando. Quando sua companheira de vida, a Shih-tzu Vica (2008–2023), virou estrelinha em dezembro de 2023, ele começou a deixar-se ir. Por mais idoso que estivesse, Cebolinha — que já carregava o trauma de perder os movimentos das pernas — enfrentou mais um baque: o desaparecimento da parceira de todos os momentos. Tentamos explicar que ela não voltaria, mas ele, convivendo com a síndrome da disfunção cognitiva, parecia sempre à espera dela.
Nos últimos dois anos, sua saúde se deteriorou bastante. Ainda gostava de passear, o que — somado às medicações para a senilidade — era o que o acalmava, já que a demência severa tornava a rotina bastante aflitiva. Cebolinha também gostava muito de ficar no nosso colo. Meu pai já me avisara no início do ano que devíamos nos preparar, um discurso compartilhado pelos veterinários. Entre o fim de setembro e o início de outubro, mesmo com atendimento especializado, ele foi parando, parando... e foi o fim.
Fica a saudade enorme dele e da Vica, filhos pets maravilhosos que um dia espero reencontrar no além. Um último obrigado a todos que cruzaram o caminho do Cebolinha com afeto e empatia. Esse pet literalmente especial, que durante seus 16 anos e nove meses de vida, mostrou que, apesar dos percalços, é sim possível viver com vontade, dignidade e altivez.
Nota do autor: Além de 'Cebolinha, o cãozinho cadeirante', Angélica possui outro livro para quem gosta de bichos, chamado 'O Pituco', que fala sobre guarda responsável através da história de um cãozinho de rua adotado pela família de um veterinário. Também à venda no Vem ZN.
 
Os inseparáveis Cebolinha (2010 -2026) & Vica (2008-2023)
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